terça-feira, 6 de setembro de 2016

O novo gestor escolar

O novo gestor escolar

Escrito por Roberta Braga

As mudanças na sociedade, nas famílias e na forma de as pessoas perceberem a vida são constantes. Ideais autoritários ficam cada vez mais enfraquecidos, e ações colaborativas ganham mais força. A escola como ambiente de convívio e educação é impactada por essas mudanças de comportamento. Nesse cenário, o gestor escolar passa a ter papel ainda mais importante, uma vez que a maneira como a escola é administrada pode refletir um melhor ambiente, tanto de trabalho quanto de aprendizagem.
Apesar de não existir uma receita pronta de administração que funcione em todas as escolas, alguns princípios ajudam a nortear o trabalho dos gestores. Educadores, teóricos e estudiosos apontam um caminho: o da descentralização, humanização e democratização da gestão. “A tendência é de uma gestão em que o poder é distribuído, em que existe incentivo ao trabalho coletivo e às decisões tomadas em conjunto com os envolvidos”, observa Helena Machado de Paula Albuquerque, doutora em Educação e coordenadora do curso de especialização em Gestão Educacional e Escolar da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Para a especialista, o momento atual pelo qual o sistema de ensino passa é o de perceber as novas necessidades e migrar, pouco a pouco, para esse tipo de gestão. “Nós ainda estamos engatinhando para perceber a escola como ela está e atender às necessidades reais do processo educativo”, considera.
Patrícia Mota Guedes, especialista em Gestão Educacional e gerente de Educação da Fundação Itaú Social, observa que a escola com perfil mais centralizador é um modelo que não se sustenta. “[Nesse modelo], se o diretor sai, todos são prejudicados. Além disso, as escolas acabam perdendo o potencial do restante da equipe, que pode ajudar na promoção da qualidade e da equidade de aprendizagem”, avalia. Essa realidade, segundo Patrícia, já pode ser percebida na prática com o enfraquecimento da ideia de que um bom diretor é centralizador, que manda e decide. “Uma liderança compartilhada, na qual o gestor sabe trabalhar em equipe e desenvolver outros gestores e lideranças, consegue alavancar mais resultados e colaborar de forma mais sustentável na transformação da escola”, enfatiza.
Nesse contexto, o gestor ideal é aquele que percebe o benefício que essas mudanças podem trazer para a educação e o ambiente escolar. “Experiências e evidências mostram que diretores que praticam uma gestão descentralizada têm conseguido alavancar os resultados de suas escolas, desenvolver suas equipes e relacionar-se com a comunidade escolar”, diz Patrícia. Dominar diferentes competências para além do conhecimento de conteúdos técnicos é uma das premissas desse novo profissional, que deve incorporar práticas mais humanas e democráticas no cotidiano da escola. Acompanhe a seguir algumas atitudes e alguns comportamentos que devem nortear o trabalho do gestor.
Conhecer a cultura organizacional
Um dos primeiros passos para uma gestão de qualidade é conhecer a escola em que se atua, de maneira a identificar as possibilidades e os desafios. Assim, a gestão poderá ser mais coerente com a necessidade de ensino específica. Conhecer os colaboradores e alunos – saber o que pensam e qual é o ideal de educação de cada um – também ajuda a traçar um panorama mais completo do ambiente escolar. Esse conhecimento auxiliará o gestor a decidir o perfil de sua atuação. “Uma determinada ação que tenha proporcionado êxito nem sempre se adequará a uma realidade diferente. Nesse sentido, os modismos podem levar a comprometimentos sérios na organização escolar, caso o gestor não entenda a cultura organizacional de sua escola”, observa Amaro França, diretor-geral do Colégio Sagrado Coração de Maria, do Rio de Janeiro.
Saber liderar
O bom gestor deve ser referência e suporte para as equipes gestora e docente, assim como uma liderança presente que acompanha os resultados e tem papel específico na garantia do direito à aprendizagem de cada um dos alunos. “Essa liderança irá alavancar mais resultados e colaborar de forma mais sustentável na transformação da escola se for compartilhada”, observa Patrícia. Isso inclui envolver a equipe, os alunos e a comunidade nas decisões. Para desempenhar o papel de líder, o gestor precisa ter competências das áreas de comunicação, supervisão e gestão de equipe, que serão necessárias em diferentes momentos, como em interações individuais com membros da equipe, reunião com familiares e ações com alunos. Para Amaro França, que coordena uma equipe de mais de 200 pessoas e é adepto de uma gestão mais humanizada, o verdadeiro líder é aquele que marca positivamente a vida de seus subordinados. “Digo que, quando a liderança torna as pessoas melhores, ela está cumprindo bem o seu papel. Se os colaboradores se tornam pessoas mais felizes, eles provavelmente se tornarão também profissionais melhores”.
Estar sempre perto e valorizar as relações
Um diretor que acompanha de perto o dia a dia da sala de aula e da escola e observa o trabalho dos professores e colaboradores consegue ser, efetivamente, um parceiro. Dessa forma, pode identificar com mais facilidade os desafios e dar o feedback necessário para a equipe. “Não estamos falando daquele diretor que entra na sala de aula para fiscalizar, e sim daquele que cultiva essa proximidade com o trabalho da equipe”, observa Patrícia, que reforça ainda que o gestor pode dividir essa tarefa com sua equipe gestora, mas sem se esquecer de que também é importante que ele se envolva pessoalmente. De acordo com Amaro França, é essencial primar pelo bom relacionamento com os colaboradores e professores, e isso é feito por meio da percepção e da valorização das pessoas que integram o ambiente escolar. “Promover a melhoria da qualidade de vida das pessoas e criar um sentimento de pertença nos integrantes da equipe reflete diretamente na harmonia do todo e nos resultados da equipe”. O desafio, explica o diretor, é fazer isso com foco no bom resultado do trabalho. “As relações não devem ser embasadas apenas na afinidade, mas também em objetivos centrados na realização da missão organizacional da escola. O profissional precisa ter consciência de seu comprometimento, pois se ele não cumpre o que lhe é delegado e esperado, todos saem perdendo”, ressalta.
Dar autonomia e saber delegar
O gestor deve respeitar a autonomia de professores e colaboradores, de acordo com os níveis hierárquicos e as funções definidas para cada setor. Para Adriana Cury Sonnewend, diretora da Escola Santi, de São Paulo, e que desde 2009 coordena uma equipe de 90 pessoas, a autonomia é um ponto fundamental para a gestão. Ela enfatiza que o trabalho do diretor é o de estimular a criatividade e a liberdade dos colaboradores e, ao mesmo tempo, garantir que estejam de acordo com os princípios, os valores e a missão da escola. “A autonomia entra como um oposto da gestão centralizadora e é importante que ela venha com a responsabilidade. Precisamos garantir uma identidade única da escola, mas com espaço para as individualidades dos colaboradores”, afirma.
Saber delegar tarefas é outra atitude que deve fazer parte do dia a dia do gestor. Patrícia ressalta que o diretor não consegue – nem é isso que se deve esperar dele – ser especialista em todas as disciplinas da escola. Por isso, é necessária a formação de uma esquipe gestora, separada por áreas, de acordo com a necessidade de cada escola, para apoiar o trabalho do gestor. “Isso não deve tirar do diretor a responsabilidade de também cuidar de cada área, mas irá aliviá-lo de muito da operação do dia a dia. Além disso, na hora de supervisionar os processos administrativos e financeiros, por exemplo, é importante que o diretor tenha papel estratégico para garantir que os processos de outras áreas possam estar em benefício do pedagógico”, reforça.  
Identificar talentos e lideranças
Saber identificar e apoiar o desenvolvimento de outras lideranças em sua escola, incluindo professores, familiares, alunos e funcionários, é uma capacidade necessária para a formação de uma gestão compartilhada. Cabe ao diretor buscar formas de promover a equidade de ensino. Ao identificar as práticas de excelência na escola e compartilhá-las com a equipe, é possível contribuir para alavancar o trabalho de outros professores. Dessa forma, o gestor consegue promover a melhoria da igualdade do ensino.
Adriana conta que, na Escola Santi, os planejamentos estratégicos envolvem, em alguma medida, toda a equipe, “para que possam olhar a escola de outro lugar”. Desse modo, é possível detectar os potenciais e os talentos da equipe. A função do diretor inclui, ainda, contribuir para a formação do professor. “Defendemos um perfil de gestor capaz de fazer a formação do professor para atuar dentro da sala de aula e também indicar formações externas. Para qualificar o trabalho na sala de aula, o segredo é investir em formação”, observa a diretora.

Fonte: http://www.gestaoeducacional.com.br/index.php/reportagens/recursos-humanos-lideranca/914-o-novo-gestor-escolar
Fonte:06/09/2016

Professor Faltoso...

O que fazer quando o professor falta demais?


Alto índice de absenteísmo prejudica aprendizado. Foto: Shutterstock
A falta frequente de alguns professores é um dos dilemas do cotidiano escolar. Isso impacta diretamente no resultado da aprendizagem dos alunos e traz à tona questionamentos acerca da eficiência da escola. As ausências dos docentes, justificadas ou não, causam transtorno na rotina e dificultam o trabalho do diretor nas mais diversas situações, já que ele precisa agir com urgência, acomodando os alunos em outras classes e acarretando um descompasso no trabalho desenvolvido em sala.
Por onde começar?
Primeiramente, entenda o porquê das faltas. Mapear a natureza e o período recorrente das ausências favorece a compreensão dos motivos e contribui para a busca por soluções. Converse com os faltantes para investigar as razões.
Com relação aos alunos, dependendo da faixa etária, não é aconselhável dispensá-los. Alguns fazem uso do transporte escolar e não têm como voltar para casa em qualquer horário. A melhor ideia nesse momento de emergência é o deslocamento de funcionários para ajudar no atendimento e o desenvolvimento de atividades extras, sem prejudicar o andamento das atividades das outras salas.
Vale ter de antemão, também, um plano de substituição (que deve estar registrado no PPP) e um banco de atividades para ser colocado em prática quando a ausência ocorre. Isso te poupará dores de cabeça nos momentos em que os problemas surgirem.
Alunos não podem ser prejudicados
Se não tem professor em sala, o estudante não conseguirá aprender! Por isso, ao analisar os resultados de aprendizagem dos alunos, é necessário considerar as faltas dos docentes como uma das variáveis que levaram a estes dados.
A rotatividade dos educadores prejudica a constituição de uma equipe que consolida a proposta educacional da escola. Por isso, o absenteísmo deve ser encarado de maneira séria, como um prejuízo no processo de ensino e de aprendizagem.
Fonte: http://gestaoescolar.org.br/blogs/na-direcao-certa/2016/08/31/o-que-fazer-quando-o-professor-falta-demais/
acessado em 06/09/2016

Estresse de professores

Estresse: como lidar com o problema que mais afasta professores da sala de aula

Apenas no estado de São Paulo, 30 mil professores faltam todos os dias em decorrência do estresse. Saiba o que fazer para tratar este problema e ter uma vida profissional mais saudável

A maioria dos professores que atua na Educação Básica tem uma reclamação em comum: sofre de estresse ou conhece quem já passou por isso. Em geral, as causas apontadas são a frustração diante da precariedade dos recursos para o trabalho; a pouca autonomia para ministrar os conteúdos em sala; a violência escolar; a indisciplina dos alunos; a falta de apoio da gestão e da família dos estudantes; e a pouca formação - que faz falta em momentos decisivos no dia a dia em sala, quando o professor fica sem saber como agir.

As estatísticas de afastamento por estresse são alarmantes. Para se ter ideia, todos os dias no estado de São Paulo - que tem a maior rede de ensino público do país, com cerca de 250 mil professores - 30 mil professores faltam sob a justificativa de distúrbios psíquicos relacionados ao trabalho. Um levantamento do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Espírito Santo indicou que 50% dos afastamentos da rede municipal da capital Vitória tinham esta mesma causa. E em 2007, NOVA ESCOLA e Ibope fizeram uma pesquisa com 500 professores de redes públicas das capitais e os números foram semelhantes: mais da metade dos entrevistados se queixava de estresse.

Luísa* dá aulas há doze anos e já atuou na Educação Infantil e no Ensino Fundamental. Em 2010 ficou onze meses sem trabalhar devido a um diagnóstico de depressão causada por estresse. Os sintomas apareceram aos poucos e ela acredita que começaram quando ela acumulava turnos em mais de uma escola. Nas duas instituições encontrava dificuldades - classes com mais de 40 alunos sem auxiliar, falta de acompanhamento da coordenação pedagógica e condições inadequadas para trabalhar com alunos com necessidades educacionais especiais. Para buscar tratamento, recorreu a um médico particular, pois a rede não oferecia atendimento para seu caso, apesar da recorrência do afastamento docente ligada a problemas de saúde mental e ao estrese.

Para José Manuel Esteves Zaragoza, da Universidade de Málaga, na Espanha, o afastamento do trabalho é o primeiro mecanismo de defesa encontrado pelo professor para aliviar a tensão causada pelo exercício da profissão. Deixar a escola, ainda que temporariamente, seria a tentativa mais imediata para eliminar as situações que geram nervosismo e prejudicam sua saúde. E vale lembrar: o estresse não afeta apenas os professores brasileiros. Estudos internacionais indicam que docentes dos Estados Unidos, Espanha, Portugal, Austrália e outros países também apontam o cansaço mental como consequência das dificuldades do dia a dia da profissão.
A seguir, confira alguns caminhos possíveis para moderar o estresse no trabalho:

1. Contar com o apoio dos gestores:

Quando diretor e coordenadores pedagógicos assumem, de fato, a liderança da equipe e passam a acompanhar mais de perto o trabalho do professor, atendendo as questões que o afligem, a qualidade do ambiente escolar melhora. E a saúde de todos, também tende a melhorar. O primeiro passo para lidar com o problema é estabelecer espaços de diálogo com a equipe: "Falta um lugar físico e simbólico de troca nas escolas, para que o professor compartilhe o que sente com os colegas e onde possam surgir novas ideias e iniciativas para solucionar as questões que causam estresse e pioram a qualidade do ambiente escolar", explica Rosana Márcia Rolando, da Universidade de Brasília.


2. Preparar-se para lidar com a indisciplina dos alunos:

A falta de preparo para tratar das situações de indisciplina, violência e problemas de relacionamento que aparecem no dia a dia - uma das causas do estresse entre os professores - começa ainda na graduação. Rosana destaca que o relacionamento entre professores e alunos e os efeitos desta relação são pouco discutidos na formação inicial dos docentes. "Existe uma lacuna no currículo das faculdades e o estudante de Pedagogia ou de licenciatura não é preparado para lidar com situações reais de indisciplina. Quando ele se depara com os problemas do dia a dia não sabe o que fazer".


3. Conversar sobre o problema com a turma:

Realizar assembleias aproxima o professor dos alunos e faz com que todos se responsabilizem pela qualidade dos relacionamentos, à medida que as soluções para os problemas podem ser encontradas coletivamente. Para Mariana Wrege, coordenadora da pós-graduação em relações interpessoais da Universidade de Franca, o professor não precisa ser o foco de todo o conteúdo, mas deve abrir espaço para que os estudantes tragam informações sobre o tema estudado. Os alunos precisam reconhecer que são corresponsáveis pela própria aprendizagem.


4. Repensar o planejamento das aulas:

O alívio do estresse também depende da sua atuação, professor. Muitos docentes têm uma resistência em mudar a maneira de ensinar e em buscar alternativas para enfrentar melhor as reais causas do estresse. Além de repensar a forma como dá aulas, em busca de um ambiente mais democrático e cooperativo, e confiar mais na participação dos alunos, a formação contínua é um motor para mudanças positivas que beneficiam a aprendizagem e valorizam o trabalho do docente. Quanto mais o professor conhece e aprende, mais aplica o que sabe e aprimora sua prática. Vale também evitar o excesso de aulas expositivas, quando o tempo e a atenção voltados exclusivamente ao professor são grandes.


5. Investigar os recursos disponíveis na Secretaria de Educação:

As secretarias municipais e estaduais costumam desenvolver ações pontuais de orientação para os professores que enfrentam o estresse, mas elas ainda estão longe do ideal. Vale verificar, junto à gestão da sua escola ou à secretaria que tipo de apoio é oferecido para o enfrentamento de problemas de saúde decorrentes das más condições de trabalho.

Fonte: http://novaescola.org.br/conteudo/219/estresse-afasta-professores-vida-saudavel
acessado em 06/09/2016

terça-feira, 23 de agosto de 2016

WhatsApp e a escola

Os grupos de WhatsApp e a escola


Alunos, professores, pais e gestores precisam refletir sobre o uso das redes sociais a favor do aprendizado e da melhoria das relações

Catarina Iavelberg

Hoje em dia, é muito difícil alguém ter um telefone celular e não acessar aplicativos como o WhatsApp. Por meio dele, são criados grupos com diversos objetivos, sempre com a intenção de fortalecer a comunicação entre os usuários. Algumas conversas têm finalidades escolares. Pode-se, por exemplo, avisar sobre lições de casa e tirar dúvidas com os colegas. Outras servem apenas para entreter e incluem trocas de vídeos, fotos e piadas. Infelizmente, também há conversas usadas para denegrir, caluniar, fazer fofoca e difamar colegas, professores e gestores.

Muitos alunos que estão nos anos finais do Ensino Fundamental já possuem celulares, e a maioria está inserida em pelo menos um tipo de rede social. Essas interações geram, portanto, implicações para a família e para a escola. Os pais precisam ficar atentos ao conteúdo que circula nos celulares dos filhos, fiscalizar e controlar o uso dos aparelhos. Entretanto, o mais importante é manter sempre um diálogo sobre as questões éticas que envolvem a participação nas redes. O que o jovem deve fazer se receber uma mensagem que expõe uma pessoa? Como agir ao ler um texto com conteúdo preconceituoso? Quais as consequências de participar de uma conversa que envolva cyberbullying?

É essencial lembrar que crianças e jovens aprendem com modelos. Então, os pais têm de se questionar sobre o uso que eles próprios fazem do celular e a qualidade de suas participações em aplicativos como o WhatsApp. Pensando no ambiente escolar, muitos criam grupos de conversa com o objetivo de fortalecer o vínculo entre as famílias e compartilhar informações sobre assuntos pertinentes à vida de crianças que estão na mesma classe. Porém, alguns acabam por trazer prejuízos enormes para os próprios alunos e para a escola. Isso ocorre, por exemplo, quando a interação é usada para queixarem-se sobre a conduta de professores ou estudantes.

Há pais que, diante de um problema, em vez de buscar um canal direto de comunicação com a escola, expõem suas preocupações em mensagens de texto de forma ofensiva e desrespeitosa. Já soube de grupos de familiares que se mobilizaram para pedir a expulsão de alunos ou mesmo o afastamento de docentes. Também não é raro presenciarmos responsáveis que expõem os próprios filhos e outras crianças com imagens ou palavreado inadequado, julgamentos e estigmatizações desnecessárias. Problemas pequenos acabam ganhando uma dimensão maior, o que só dificulta a resolução. Assim, surgem indisposições e até inimizades entre os pais dos alunos.

À escola, cabe orientar as famílias a fazer um uso potente desse recurso tecnológico, por exemplo, compartilhando assuntos de interesse geral (sobre saúde, programação cultural etc.), e lembrá-las de que, quando tiverem questões sobre a vida escolar dos filhos, o melhor canal é a comunicação direta com a gestão. Afinal, alguém já viu um problema delicado ser resolvido pelas redes sociais? Também é interessante promover reflexões com os estudantes sobre o uso consciente dessas ferramentas e utilizá-las em sala de aula de maneira positiva, potencializando a construção de boas relações e o aprendizado.

Fonte:http://gestaoescolar.org.br/comunidade/grupos-whatsapp-escola-catarina-iavelberg-966780.shtml
acessado em 23/08/2016

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Previna o Bullying

O bullying é, na sua essência, um conflito entre duas ou mais crianças ou jovens, no qual um dos lados é o agressor e o outro é o agredido. As agressões podem ocorrer de várias formas e, como já abordado em matérias anteriores da série Projeto Antibullying, existem diversas maneiras de evitar e prevenir os entreveros entre os alunos: a mediação, o método Pikaso desenvolvimento da assertividade nas vítimasou da empatia nos agressores. E quando nenhum dos métodos de prevenção funciona e mesmo assim as brigas continuam a ocorrer? É hora de apostar na resolução efetiva de conflitos.
Primeiramente, toda a equipe escolar – professores, coordenadores, psicólogos, diretores, etc. – deve saber diferenciar bullying de pequenos conflitos sem agressão. Segundo a pedagoga e consultora em Bullying, Cleo Fante, é necessário haver extensa preparação para o combate às agressões. “Para que o trabalho seja eficaz, é preciso que a instituição educativa realize um diagnóstico – o qual permitirá identificar índices de envolvimento, locais de maior incidência, tipos de abusos, procedimentos adotados, etc. – e, com base nele, desenvolva estratégias interventivas e preventivas”, afirma Cleo.
Durante o trabalho, é vital a presença do psicólogo escolar, que será figura fundamental na resolução de conflitos. “O psicólogo deve intervir de modo direto e contínuo e sua intervenção deverá assumir um caráter intencional e preven­tivo, dessa forma, terá um olhar voltado para cada contexto, para a subjetividade de cada criança e adolescente e para a dinâmica dos relacionamentos estabelecidos. Assim, terá a oportunidade de descobrir crises e conflitos existentes antes mesmo de se tornarem casos graves de agressão e bullying”, dizem as psicólogas Alane Novais Freire e Januária Silva Aires. Cleo, no entanto, acredita que os professores têm grande responsabilidade na hora de resolver as brigas. “Os conflitos que surgem em sala de aula devem ser mediados ou resolvidos pelos docentes, com autoridade e imparcialidade, ensinando a resolver os conflitos por meio do diálogo, da negociação, do respeito ao outro. O encaminhamento das situações deverá ocorrer somente quando extrapolar a alçada pedagógica docente”, afirma.
Como resolver?
As três especialistas concordam que o melhor jeito de resolver conflitos ou casos de bullying é o acompanhamento e a utilização de métodos previstos já no Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola. “É necessário as escolas inserirem em seu Projeto Político Pedagógico programas preventivos – que trabalhem temas como diversidade, tolerância, respeito às diferenças, não violência, direitos e deveres, ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente], etc. – promotores da cultura da paz”, sugere Cleo Fante. As psicólogas Alane e Januária complementam, afirmando que, “nesse contexto, é importante a realização de um mapeamento institucional, que possibilite uma análise apurada do contexto e das relações existentes, a fim de tornar possível uma intervenção intencional e eficaz. Associado a isso, é importante criar espaço para uma escuta psicológica de todos os protagonistas envolvidos nas relações do contexto escolar, objetivando a construção de relações mais saudáveis. O processo de escuta psicológica possibilita a discussão de problemas, a resolução de conflitos, bem como pensar coletivamente em soluções”.
As especialistas acreditam também que o melhor jeito de garantir uma resolução eficaz dos conflitos e evitar que eles ressurjam mais uma vez é o acompanhamento dos alunos envolvidos por determinado período. “Um trabalho como esse só será eficaz se for feito de forma contínua e com ações que abarquem todos os contextos (escolar, familiar e social), além de ações de cunho preventivo, que em vez de combaterem os atos de bullying, trabalhem aspectos humanos de desenvolvimento”, sugerem as psicólogas. Cleo ainda sugere que, caso seja necessário, a equipe es­colar envolva outras instituições e não limite a prevenção dos casos de bullying apenas ao ambiente educacional. “Quando as ações adotadas se mostrarem ineficazes, novos procedimentos deverão ser adotados. Dependendo do caso, a família deverá ser acionada para trabalhar em parceria com a escola, ou, conforme a gravidade do caso, a escola deverá encaminhar para outras instituições, como Conselho Tutelar, Delegacia de Polícia, Ministério Público, que poderão dar suporte às ações pedagógicas”, afirma a pedagoga.
As psicólogas Alane e Januária acreditam que não se pode pensar em falhas no processo de resolução de conflitos. “Quando não se atinge o objetivo esperado, deve-se investigar e avaliar onde está a falha, rever as intervenções realizadas, pensar em novos modelos de intervenção sempre com base no que foi observado e avaliado no contexto. Dificilmente ocorrem erros ou falhas quando se começa um trabalho mapeando a instituição, observando as relações estabelecidas, conhecendo a dinâmica da escola, pois quando isso é feito se tem uma visão ampla do problema e se conhece o motivo de ele surgir”, concluem as pesquisadoras.
O que é importante para a resolução de conflitos
- Inserção de programas preventivos, promotores da cultura da paz, no Projeto Político Pedagógico;
- Observação das relações estabelecidas na escola;
- Conhecimento da dinâmica da escola;
- Acompanhamento dos alunos envolvidos;
- Intervenção intencional e eficaz;
- Criação de um espaço para apoio psicológico de todos os protagonistas envolvidos;
- Discussão de problemas e ações para pensar coletivamente em soluções.

Fonte: http://www.gestaoeducacional.com.br/index.php/especiais/projeto-antibullying/395-resolvendo-conflitos-para-prevenir-o-bullying
acesso em 29/07/2016

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Reunião individual com a família

8 dicas essenciais para uma reunião individual com a família


Momentos em que professor e responsáveis conversem em particular não devem se limitar aos casos mais problemáticos, mas se estender a todos. Foto: Shutterstock
A reunião de pais é um momento especial para fortalecer a parceria entre a família e a escola. Tradicionalmente, ela é feita de forma coletiva: os professores fazem comentários gerais sobre o desempenho da sala e dão uma ou outra orientação, reservando o momento final para uma conversa individual breve com aqueles que desejarem.
O problema é que as inquietações são muitas, o tempo é curto e não dá para atender a todos. Por esse motivo, é importante prever momentos ao longo do ano em que professor e responsáveis possam conversar em particular. E isso não deve se limitar aos casos mais problemáticos, mas se estender a todos os alunos – ou ao menos àqueles que precisam de uma atenção especial. Mas como definir quem são esses?
Há casos que, obviamente, exigem uma conversa particular, como quando o aluno em questão não está dentro das expectativas de aprendizagem ou apresenta comportamentos atípicos. Mas essa é uma daquelas decisões em que não há receita pronta e, naturalmente, pesa muito a sensibilidade do professor. Um primeiro passo importante é ficar atento à postura dos responsáveis na reunião coletiva: pais inquietos ou com muitas dúvidas devem acionar um sinal de alerta em nossa cabeça.
O segundo passo é planejar bem a conversa, e o coordenador precisa orientar os professores nesse sentido. Nem sempre é fácil prever quais as expectativas da família em relação ao convite e como ela reagirá. Mas, com a prática e a observação atenta das reuniões de pais tradicionais, isso fica mais fácil.
Para ajudá-lo nesse trabalho, quero compartilhar com você oito pontos importantes que nortearam o meu planejamento neste bimestre, aqui na escola onde eu trabalho. São dicas, alertas e estratégias que ajudam a organizar o encontro individual e a acertar o tom da conversa.
  1. Culpar a família por eventuais problemas não ajuda em nada. Pelo contrário, a postura acusatória gera sentimentos de fracasso, angústia e tensão na relação delas com as crianças, além de gerar atritos com a própria escola. É preciso fugir dos julgamentos e se concentrar em compreender as causas da dificuldade.
  2. É fundamental ouvir as dúvidas e inquietações dos responsáveis. Eles precisam ser ouvidos com respeito e se sentirem livres para colocar suas opiniões. Nesse momento, o professor precisa ter paciência para responder as perguntas.
  3. Comportamento em sala de aula deve ser tratado com cautela. Antes de tudo, a escola precisa apresentar o que tem feito para resolver eventuais problemas de indisciplina. Em casos mais graves, se as medidas tomadas não derem conta da situação, é necessário discutir com os responsáveis o que fazer. Precisamos buscar ajuda externa, como um psicólogo ou um orientador educacional? Essas são decisões que precisam ser tomadas em conjunto com a família.
  4. O professor deve explicar como é a rotina das aulas e quais estratégias costuma utilizar com o aluno. Dar informações detalhadas na conversa particular é importante mesmo que elas já tenham sido discutidas na reunião coletiva, para que não reste dúvida sobre tudo o que envolve o processo educativo. Percebo que muitos pais, por exemplo, só acompanham o andamento dos filhos pelo que observam no caderno, mas não têm muita clareza do trajeto percorrido.
  5. A conversa particular é o melhor momento para analisar de forma específica o rendimento. Portanto, oriente a equipe a apresentar exemplos de atividades realizadas pelo estudante, mostrar o que ele aprendeu no bimestre e o que irá estudar no próximo. Os registros feitos em sala de aula também são valiosos e precisam ser mostrados. É importante enfatizar os dados positivos e os avanços da criança.
  6. Os erros cometidos em produções e avaliações têm que ser analisados em conjunto. Muitas vezes, as observações do docente em relação ao que está por trás do erro ajuda os responsáveis a perceber em que estágio a criança está. Mas isso não basta: o professor também tem que dizer o que fez ou pretende fazer para que o aluno avance.
  7. O professor pode orientar a família a incentivar a criança a estudar em grupos de apoio. Em certos casos, um estudante com baixo desempenho em determinado conteúdo precisa de um reforço, e cabe ao docente recomendar aulas no contraturno ou, se não houver essa opção na própria escola, auxiliar a família a dar suporte para o aluno em casa. Isso nos leva à próxima sugestão.
  8. Os responsáveis precisam saber como podem ajudar o aluno em casa. Para isso, o docente pode sugerir quais conteúdos devem ser revisados e de que maneira a rotina para a lição de casa pode ser organizada. Cabem também dicas sobre como participar do momento da tarefa, sem acabar fazendo-a pela criança.
Fonte: http://gestaoescolar.org.br/blogs/coordenadoras/2016/06/30/8-dicas-essenciais-para-uma-reuniao-individual-com-a-familia/
acessado em 28/07/2016

Comunicação escolar com os pais

Otimize a comunicação da escola com os pais dos alunos
27/07/2016 Maura Barbosa

Neste fim de férias, vamos refletir sobre o diálogo com os pais e responsáveis? Você já pensou sobre como isso aconteceu no primeiro semestre, e o que pode ser melhorado para essa segunda metade do ano?
Ao avaliar como se deram as conversas – pessoais ou por escrito – com as famílias até agora, é necessário verificar junto à equipe o que deu certo e o que precisa ser ajustado para que todos possam acompanhar a programação e a vida dos estudantes.
Quais são os canais que sua escola mantém abertos? Além das reuniões e conversas presenciais, que são um tema à parte e foram tratadas nesta reportagem, existem as maneiras mais tradicionais de falar com os pais: colocar comunicados no quadro de aviso logo na entrada e cartazes no portão, mandar panfletos e bilhetes.
Por outro lado, graças à internet e aos smartphones, as possibilidades de se manter em contato com os pais se ampliaram. Agora, podemos mandar e-mails, SMS e mensagens pelo WhatsApp, criar blogs e página no Facebook. Visitei a EME Professora Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo, para falar justamente sobre acomunicação com os pais via internet. Eles queriam que a escola fosse mais presente no ambiente virtual, de sua familiaridade, e a diretora, então, investiu em algumas plataformas para cumprir essa necessidade. Vale a pena dar uma olhada no vídeo que resultou deste encontro!
Os dados que coletamos quando realizamos a caracterização da comunidade escolar, sobre escolaridade das pessoas, sistemas de transporte mais utilizados e acesso aos meios de comunicação, podem dar boas pistas sobre as formas mais eficientes de dialogar com os pais e responsáveis. Por exemplo, se a maioria das pessoas têm acesso frequente à internet, que tal criar um blog ou uma página da escola para atualizar a comunidade sobre os projetos recentes? Será que é mais eficiente mandar mensagens pelo celular ou pela agenda dos alunos? O que fazer para dar recados a responsáveis que não são alfabetizados?
É importante pensar em formas de comunicação de ações que estejam relacionadas com toda a escola, como informes gerais sobre o andamento da instituição, a divulgação do calendário escolar e de projetos desenvolvidos, mas também é igualmente fundamental manter os adultos por perto no dia a dia das crianças. Isso deve ser feito através de canais individuais. O diretor precisa, por exemplo, estar disponível no portão em alguns dias para encontrar os pais na entrada ou na saída dos alunos e ter sua agenda liberada em alguns períodos para atender quem deseja conversar. Não adianta ter um site repleto de conteúdo se o gestor não sabe como entrar em contato com uma mãe de aluno em caso de emergência. Você e sua equipe conseguem ter acesso aos pais e responsáveis de qualquer um dos estudantes? O que pode fazer para essa comunicação melhorar? Uma agenda atualizada, com o máximo de contatos possíveis sobre cada pessoa, é essencial.
Fonte:http://gestaoescolar.org.br/blogs/na-direcao-certa/2016/07/27/otimize-comunicacao-da-escola-com-pais-dos-alunos/
Acessado em 27/07/2016