sábado, 5 de janeiro de 2013

A sua escola é inteligente?


20/12/2012 06/01/2013
A sua escola é inteligente? 
Marcelo Freitas 

Tenho visto muitos gestores de escolas tentando “apagar incêndios” todos os dias, em um interminável trabalho operacional. Muitos deles o fazem proativamente, mas na grande maioria das vezes é apenas um esforço reativo às mudanças no ambiente organizacional. Além de comprometer recursos e aplicá-los de maneira inadequada, respondendo a um movimento da concorrência ou à mudança no perfil dos clientes, a escola reativa é aquela onde não se consegue vislumbrar um horizonte de chegada.
O “X” da questão é que isso acontece porque os gestores raramente se utilizam de maneira eficaz do conjunto de dados e das informações subliminares que eles escondem. Com o advento dos sistemas informatizados e das redes de relacionamento na internet, a possibilidade de acesso a essas informações é cada vez maior. Entretanto, para extraí-las e transformá-las em conhecimentos e estratégia de atuação, é necessário garimpar, ou seja, é preciso entender o que esses [dados] estão dizendo.
Daí o surgimento do que se convencionou chamar de Inteligência Competitiva. Ou ainda Inteligência Estratégica. O seu conceito nos remete à atividade de coletar, organizar, analisar dados e informações, culminando na incorporação de conhecimento sobre os concorrentes e o ambiente em geral, sempre de maneira ética e legal. É pela utilização das práticas de Inteligência Competitiva que os gestores conseguem “ler nas entrelinhas” dos dados, páginas da internet e contatos em geral. É possível identificar, ou deduzir, qual a estratégia do concorrente, para onde os ventos do mercado estão soprando – e, com isso, se antecipar às mudanças.
A maioria dos gestores, entretanto, trabalha apenas com os dados brutos, aqueles sobre os quais não se retira nenhum tipo de análise mais apurada. A utilização de um sistema de Inteligência Competitiva visa, portanto, transformar dados em informações e essas em inteligência de gestão. Ou seja, informações estratégicas capazes de direcionar movimentos estratégicos diante da concorrência e do ambiente organizacional.
Imagine a quantidade de informações que se pode extrair dos dados armazenados na secretaria da escola. E daqueles colhidos nos sites dos concorrentes? O que me dizem então, das redes sociais, uma inesgotável fonte de informações e perfil de comportamento?
Com a aplicação da Inteligência Competitiva as decisões tornam-se mais focadas, permitindo a aplicação dos recursos de maneira mais assertiva e tornando, assim, os movimentos estratégicos realmente eficazes. E não somente isso. Imagine utilizar os dados e informações coletados pelo sistema de Inteligência para subsidiar o andamento das aulas, no seu dia a dia, tornando-as atualizadas em tempo real.
Nas últimas duas décadas foram criados os conceitos de armazém de dados (data warehouse), mineração de dados (data mining), CRM (customer relationship management) e outros visando a obtenção, extração e análise de dados. Esses conceitos, entretanto, são apenas parte do processo. É importante ainda olhar para fora da organização, para as ações dos concorrentes, as alterações na legislação do setor, as inovações tecnológicas, movimentos da economia, enfim, tudo que ajude a antecipar ações de neutralização dos competidores ou de antecipação a movimentos do ambiente.
Ao me deparar com gestores educacionais, que sempre questionam e se lamentam de circunstâncias adversas, digo a eles que, na maioria das vezes, tais situações-problema eram previsíveis para aqueles atentos ao ambiente competitivo. Bastaria se utilizar de alguma ferramenta de Inteligência para se chegar às informações necessárias.
É fato que os produtos educacionais estão vivendo um momento crítico em todo o mundo, em virtude das mudanças aceleradas e da consequente alteração nos paradigmas que regem a sociedade atual. Conhecer os movimentos da concorrência e do mercado nunca foi tão importante para produzir inovações. Uma sociedade que demanda novas formas de ensinar e aprender, capazes de acompanhar o ritmo alucinante das mudanças globais, não pode se apoiar num modelo exaurido.
É por essas e outras razões que, nos processos de reestruturação e planejamento estratégico de escolas e redes educacionais que conduzimos, procuramos dar ênfase aos sistemas de informação e inteligência. Acreditamos que é com o auxílio deles que os movimentos estratégicos e inovações devem se sustentar.
E você caro gestor, responda com sinceridade: a sua escola é inteligente?

Matéria publicada na edição de outubro da revista Gestão Educacional.

Para manter o caixa em ordem

31/07/2012
Para manter o caixa em ordem
Carolina Mainardes

Bom planejamento, controle orçamentário, rigor e austeridade sempre, informações permanentemente atualizadas. Essas são algumas das atitudes necessárias para manter o caixa de uma instituição de ensino em ordem, de acordo com Sérgio Marcus Nogueira Tavares, administrador de empresas, mestre em Administração Escolar e doutor em Educação, além de controller da Universidade Metodista de São Paulo e consultor da Humus. Segundo ele, ainda é fundamental que, em meio a toda essa racionalidade, a visão ética esteja voltada à educação como fim. “Muitos têm visto a educação como negócio. Mas a educação precisa ser administrada com competência sem perder sua essência primeira de um bem social. Transformá-la em mero serviço educacional e levá-la ao puro tratamento de comércio é matar na raiz sua missão primeira”, enfatiza.
Não há espaço para amadorismo na administração financeira. “A tomada de decisões nesse campo exige profissionalismo rigoroso, pois lidamos com recursos escassos e demandas sem fim, numa sociedade em que o setor educacional tem uma dívida histórica com o povo brasileiro”, considera Tavares. É justamente aí que entra em cena a gestão financeira, um somatório de ações e práticas coerentes que devem fazer parte da gestão educacional. “Desde o funcionamento da tesouraria, o planejamento de caixa, as ações voltadas a financiamentos e operações no mercado financeiro até a gestão da inadimplência, tudo é parte de uma engrenagem importante à sobrevivência das instituições e sua vida longa com qualidade”, orienta.
O professor Márcio Fontoura, responsável pela disciplina de Gestão Financeira do curso Master em Gestão Escolar da Universidade Anhembi Morumbi, ressalta que a administração financeira é essencial para a sobrevivência e para o sucesso de qualquer estabelecimento, o que não é diferente para a instituição escolar – e isso a qualquer tempo, com ou sem inflação, com ou sem recessão. “A gestão racional e eficiente dos controles financeiros da escola é tão importante quanto sua capacidade de prestar o serviço educacional, afinal, se não tiver sustentabilidade, o ‘serviço’ que presta poderá ser comprometido”, frisa.
Para o presidente da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenem), Roberto Geraldo de Paiva Dornas, o que determina uma gestão financeira eficiente na escola é um bom nível de conhecimento do custo do ensino, algo muito específico e que poucas pessoas conseguem dominar. “Conhecer o custo, fazer um planejamento com antecedência e ter um acompanhamento preciso e contínuo devem ser aspectos prioritários para corrigir os desvios”, observa.
Como orientação para manter o caixa em ordem, o presidente da Confenem também cita aspectos simples, de pura economia pessoal: “não se gasta mais do que a renda seguramente previsível”. Ele também alerta que o gestor financeiro deve lembrar-se que, por ano, a escola recebe durante 12 meses e gasta o equivalente a 13,33 meses. “Em consequência, a receita mensal deve cobrir as despesas, a sobra de 1/12 para suportar o custo anual, uma reserva como cautela e o necessário para, em caso de inviabilidade, dispor dos recursos para demitir os empregados”, comenta Dornas. E completa: “O ideal é ter um caixa que suporte dois ou três meses à frente para a eventualidade de falta de receita.”
O controller Sérgio Tavares explica que o administrador financeiro tem atribuições vitais na gestão escolar, de modo a apoiar o funcionamento sustentável e contínuo de uma instituição educacional. “Seus afazeres passam por ações estratégicas, articulação com o planejamento institucional e o processo decisório, bem como a gestão do cotidiano financeiro. Em todos os níveis, sua atuação é fundamental”, explica.
Tavares salienta que a gestão financeira deve ser considerada parte da ação estratégica de posicionamento de qualquer instituição, independentemente do porte ou da área de atuação no campo educacional. “Está implícita à atividade educacional a gestão dos seus riscos, o que pressupõe a visão econômico-financeira inerente ao desenvolvimento da atividade principal, que é a educação”, afirma.
Fontoura elenca o que compete ao administrador financeiro da escola: o planejamento financeiro e orçamentário; a análise de viabilidade dos projetos que envolvem custos financeiros; o monitoramento e tomada de decisão quan­to à execução financeira e a transparência financeira por meio dos sistemas de controle, assim como subsidiar a tomada de decisão sobre a capacidade de investimento da escola.

Voo cego
O desconhecimento em relação à gestão financeira e sua falta de vivência são as falhas mais comuns no ambiente da gestão escolar, o que gera resultados desastrosos, segundo o presidente da Confenem. “Conhecimento e vivência são necessários para um bom planejamento financeiro e sua execução. Sem isso, é feita uma administração às escuras e em voo cego”, adverte. Ele acredita que não há profissionais preparados para assumir essa responsabilidade na escola e aponta que as falhas ocorrem desde a formação dos educadores. “Não há uma formação específica. Os cursos de Pedagogia, formadores de administração escolar, ensinam muitas coisas, menos administração financeira”, acusa. Ele lamenta que, de modo geral, a gestão financeira acaba sendo executada por outros profissionais que, por conta própria, aprendem as especificidades da escola.
Em virtude disso, são comuns os casos de instituições de ensino que enfrentam crises. Em algumas situações tratam-se de empresas familiares e/ou que são administradas por professores, e não por administradores. Na opinião de Dornas, nesses casos é fundamental que seja contratado um profissional que entenda de administração financeira.
A atualização do profissional é outro aspecto destacado por ele, pois é essencial que os responsáveis pela gestão financeira estejam bem informados e orientados pelas entidades representativas. “Por exemplo, a duração do aviso prévio foi aumentada. Até agora, não vimos alguém mostrar quanto isso representa nos custos de uma escola”, diz.

Vital
O professor Márcio Fontoura acredita que, em primeiro lugar, a gestão financeira não pode ser um apêndice da instituição, mas deve ser inserida como área vital para a saúde organizacional da escola, rompendo com a departamentalização e fragmentação das tarefas da escola, onde os subsistemas ficam isolados uns dos outros. “A visão sistêmica e holística é essencial para pensar a gestão financeira sob o ponto de vista estratégico, ou seja, faz-se necessário o ‘olhar’ sobre o todo, com clareza dos objetivos fundamentais de cada parte que o compõe”, observa. Neste sentido, para a gestão financeira fazer parte da estratégia da instituição, é preciso haver uma clara definição da estrutura organizacional da escola, da visão, da missão e dos valores, considerando cada setor fundamental para firmar a identidade institucional, tendo em vista a sua finalidade. Ele considera que há uma exigência contínua de profissionalização, não cabendo mais o improviso e o amadorismo. “Nota-se quanto as instituições privadas, nos últimos anos, estão reorganizando a gestão com o foco na profissionalização”, analisa.

Planejar para ter êxito
Fontoura ressalta que toda ação que envolve a busca de resultados, sejam financeiros ou não, só terá êxito se for planejada. “No caso da escola, a gestão deve priorizar o planejamento participativo. Como ocorre no processo ensino-aprendizagem, o planejamento deve envolver todos os atores, exercendo também a tarefa de facilitar o trabalho coletivo na escola, tanto no que se refere à dimensão pedagógica como na dimensão administrativo-financeira”, recomenda. Em consonância com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), Lei nº 9.394/96, por meio do planejamento participativo a escola mostra a sua real autonomia.
Fontoura considera que a autonomia financeira deve possibilitar à escola elaborar e executar seu orçamento, planejar e executar suas atividades, sem ter que necessariamente recorrer a outras fontes de receita, porém com o acompanhamento e fiscalização dos órgãos internos e externos competentes.
A falta de planejamento e de uma boa gestão financeira pode resultar em grandes fracassos.
O presidente da Confenem também aponta como fatores negativos a diminuição do número de matrículas na escola particular e a falta de um estudo aprofundado de viabilidade. “Dessa forma, a criação de cursos e escolas é uma aventura, um suicídio prévio”, alerta. E lembra que a mensalidade tem peso total nesta conta: “A escola não tem outra receita. A saúde financeira se assenta num tripé: número de alunos em classe, número semanal de aulas e anuidade necessária.”
Para Tavares, o Brasil precisa caminhar bastante na busca de novas fontes, tais como doações, financiamento privado ao estudante e empreendimentos geradores de outras receitas, dentre outras possibilidades.

Etapas do planejamento financeiro
  1. Diagnosticar a realidade: o plano de ação parte de uma necessidade concreta (quais são as necessidades?)
  2. Projetar a ação (o que pode ser feito?)
  3. Pensar os procedimentos da ação (como deve ser feito?)
  4. Fazer o levantamento dos recursos necessários para a ação (humanos, materiais e financeiros – quanto custa para fazer?)
  5. De onde virão os recursos? (captação)
  6. Qual a relevância da ação (importância)?
  7. Qual a viabilidade da ação (possibilidade)? Quais pessoas estarão envolvidas (quem?)
  8. Quais resultados pretendemos (valor?)
  9. Quais mecanismos de controle podem ser utilizados? (avaliação?)
Fonte: Márcio Fontoura, professor de Gestão Financeira do curso Master em Gestão Escolar da Universidade Anhembi Morumbi.

Matéria publicada na edição de maio de 2012 da revista Gestão Educacional.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Formação eficaz de gestores


5 critérios para uma formação eficaz de gestores

Conheça os principais aspectos que podem ser levados em conta na hora de orientar os gestores escolares em serviço

Verônica Fraidenraich
1 Competências de resultado

Abrangem processos e práticas de gestão voltados para assegurar a melhoria dos resultados de desempenho da escola, tais como:
- Definir junto com todos os segmentos que atuam na escola os padrões de desempenho de qualidade
e cuidar para que sejam atingidos.
- Analisar comparativamente os indicadores dos últimos anos, identificando os avanços e os pontos em que é necessária maior concentração de esforços.
- Promover e orientar a aplicação sistemática de mecanismos de acompanhamento da aprendizagem de modo a identificar as áreas que exigem atenção.
- Comparar os indicadores de rendimento da escola com as referências no âmbito nacional (como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica e a Prova Brasil), estadual e local e prever avanços.
- Promover na escola o compromisso de prestação de contas aos pais e à comunidade sobre os resultados de aprendizagem.
O que a Secretaria de Educação pode fazer
- Divulgar os índices de desempenho da escola.
- Ajudar a equipe gestora na análise dos dados.
- Orientar na elaboração de uma agenda de trabalho para a escola com foco na melhoria dos resultados e no uso dos indicadores.
2 Competências de planejamento

São as habilidades necessárias para elaborar um diagnóstico da situação real da escola e planejar ações que possibilitem o alcance dos resultados:
- Conhecer o contexto social e cultural do país, do estado, do município e da comunidade.
- Ajudar na compreensão da importância das avaliações externas.
- Definir metas, estratégias e ações, mediante a articulação de todos os recursos disponíveis.
- Elaborar planos de ação orientados para atingir os resultados educacionais pretendidos.
- Analisar os resultados da escola considerando as diferentes variáveis para implementar os planos de ação.
- Utilizar os resultados das avaliações externas para repensar as condições de ensino previstas no projeto político-pedagógico (PPP).
O que a Secretaria de Educação pode fazer
- Ampliar os conhecimentos dos gestores sobre as políticas públicas.
- Ajudar na compreensão da importância da ficha de matrícula como um instrumento para conhecer a comunidade.
- Promover discussões sobre o contexto social e cultural no entorno.
- Orientar na definição de prioridades e no estabelecimento de metas a curto, médio e longo prazos.
3 Competências de liderança

Envolvem capacidades de liderar as equipes para o trabalho conjunto e estimular o desenvolvimento profissional e a responsabilidade de todos pelos resultados da escola. Para alcançar esses objetivos, é preciso saber:
- Comunicar-se eficazmente com a comunidade interna e externa.
- Planejar ações e envolver as pessoas na sua realização.
- Negociar, promover mediações e resolver conflitos.
- Manter as expectativas elevadas e ter uma orientação proativa.
- Promover o desenvolvimento de lideranças em seus grupos.
- Estabelecer redes de relacionamento e intercâmbio profissional e institucional.
- Lidar com a diversidade de professores, funcionários, alunos, pais e comunidade.
- Conviver com as resistências a mudanças.
O que a Secretaria de Educação pode fazer
- Oferecer formação em gestão de equipe.
- Criar momentos de troca de experiências entre os gestores com foco no relacionamento pessoal dentro da escola.
- Disponibilizar condições para a aproximação da escola e da comunidade com apoio para a realização de eventos.
- Orientar o desenvolvimento de visão estratégica e de conjunto no encaminhamento das problemáticas escolares.
4 Competências pedagógicas

São as habilidades para acompanhar os processos de ensino e aprendizagem a fim de estabelecer metas e estratégias e implementar propostas educacionais que assegurem o sucesso escolar dos alunos:
- Assegurar o espaço de formação no contexto de trabalho.
- Promover a elaboração e a atualização do PPP.
- Estimular e orientar a promoção da aprendizagem profissional do grupo, pela reflexão, com base em sua atuação.
- Observar objetivamente o desempenho, dar feedback e identificar a necessidade de melhorias educacionais.
- Estar atento a tudo que diz respeito às condições dos processos de ensino e de aprendizagem dos alunos.
- Identificar as limitações e as dificuldades de seus profissionais e buscar ajuda para que possam atuar de forma eficaz.
O que a Secretaria de Educação pode fazer
- Abrir espaço para que os diretores possam expor suas ações e seus desafios.
- Aprofundar os conhecimentos do diretor sobre a gestão escolar para compreender a importância de garantir as condições de ensino e de como o aluno aprende.
- Estabelecer objetivos com relação às reuniões de pais para compartilhar os projetos da escola.
- Ajudar a definir as prioridades e o estabelecimento de metas a curto, médio e longo prazos.
5 Competências administrativas

a realização de uma administração eficiente, desde a aplicação de recursos financeiros até o funcionamento adequado das instalações, de modo a tornar o ambiente de aprendizagem seguro e eficaz. São necessários conhecimentos
para:
- Manejar e controlar o orçamento, os recursos financeiros, os materiais e o patrimônio escolar.
- Analisar, interpretar e descrever os dados educacionais que favoreçam a tomada de decisões.
- Usar tecnologias na melhoria de processos de gestão.
- Integrar políticas educacionais nacionais, estaduais e locais nos planos educacionais da escola.
- Realizar reuniões regulares com a equipe para analisar o andamento do trabalho da unidade escolar.
O que a Secretaria de Educação pode fazer
- Ampliar o conhecimento dos diretores sobre legislação, uso de recursos e prestação de contas.
- Acompanhar a implementação de políticas públicas.
- Apoiar e incrementar o desenvolvimento do PPP.
- Contribuir com a formação das equipes gestoras.
Fontes consultadas: Heloísa Lück, do Centro de Desenvolvimento Humano Aplicado (Cedhap) em Curitiba, PR, Maura Barbosa, consultora da revista NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR, SP, Gisela Wajskop e Maria Cristina Nogueira Bareli, do Instituto Singularidades, em São Paulo, SP, e Rosa Hashimoto, consultora em Educação, em Salvador, BA.
Publicado em Abril 2011, com o título 5 critérios para uma formação eficaz - Nova Escola

http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/5-criterios-formacao-eficaz-gestores-625356.shtml?page=0
Acessado em 03/01/2013

Desafios da liderança nas escolas


Heloísa Lück fala sobre os desafios da liderança nas escolas

Para a educadora paranaense, somente uma escola bem dirigida obtém bons resultados

Paula Nadal
HELOÍSA LÜCK. Foto: Marcelo Almeida
HELOÍSA LÜCK.  "A escola deve ser umacomunidade de aprendizagem também em liderança, tendo em vista a natureza do trabalho educacional."
A escola é uma organização que sempre precisou mostrar resultados - o aprendizado dos alunos. Porém nem sempre eles são positivos. Para evitar desperdício de esforços e fazer com que os objetivos sejam atingidos ano após ano, sabe-se que é necessária a presença de gestores que atuem como líderes, capazes de implementar ações direcionadas para esse foco. A concepção de que a liderança é primordial no trabalho escolar começou a tomar corpo na segunda metade da década de 1990, com a universalização do ensino público. A formação e a atuação de líderes, até então restritas aos ambientes empresariais, foram adotadas pela Educação e passaram a ser palavra de ordem para enfrentar os desafios.

Na comunidade escolar, é recomendável que essa liderança seja exercida pelo diretor. Mas a educadora paranaense Heloísa Lück, diretora educacional do Centro de Desenvolvimento Humano Aplicado (Cedhap), em Curitiba, e consultora do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), vai além. Ela defende o estímulo à gestão compartilhada em diferentes âmbitos da organização escolar. Onde isso ocorre, diz ela, nasce um ambiente favorável ao trabalho educacional, que valoriza os diferentes talentos e faz com que todos compreendam seu papel na organização e assumam novas responsabilidades.
Doutora em Educação pela Universidade Columbia e pós-doutora em Pesquisa e Ensino Superior pela Universidade George Washington, ambas nos Estados Unidos, Heloísa falou a NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR sobre as ações necessárias para o exercício da liderança. Segundo ela, o primeiro passo é tornar claros os objetivos educacionais da escola. Só assim as expectativas dos profissionais com relação à Educação permanecem elevadas, contribuindo para a construção do que ela chama de "comunidade social de aprendizagem".

Quando o conceito de liderança, antes restrito ao âmbito empresarial, migrou para a Educação? 
HELOÍSA LÜCK Há algumas décadas, o ensino público era destinado a poucos e orientado por um sistema administrativo centralizador. Nesse modelo, a qualidade era garantida com mecanismos de controle e cobrança. A sociedade mudou e passou a exigir a Educação para todos. Com isso, o ser humano se tornou o elemento-chave no desenvolvimento das organizações educacionais, tanto como alvo do trabalho educativo como na condução de processos eficientes e bem-sucedidos.
É nesse contexto que surgiu a necessidade de haver uma ou mais pessoas para dirigir as ações que encaminham a escola para a direção desejada.

Como diferenciar uma escola que conta com essas pessoas de outra que não tem? 
HELOÍSA É fácil perceber isso. Onde não existe liderança, o ritmo de trabalho é frouxo e não há a mobilização para alcançar objetivos de aprendizagem e sociais satisfatórios. As decisões são orientadas basicamente pelo corporativismo e por interesses pessoais. Geralmente, são instituições cujos estudantes apresentam baixo desempenho. Além dessas características, há outras menos visíveis, mas que têm grande impacto. Uma estrutura de gestão debilitada contribui para a formação de pessoas indiferentes em relação à sociedade. É alarmante observar como os apelos destrutivos estão cada vez mais fortes, com os jovens se envolvendo em arruaças e gangues e usando drogas. Isso se dá pela absoluta falta de modelos. A escola deveria oferecê-los, pois é a primeira organização formal, depois da família, que as crianças conhecem. Sem a canalização de esforços para que a aprendizagem ocorra e haja melhoria e desenvolvimento contínuos, o ambiente escolar se torna deseducativo.

É possível aprender a liderar?
HELOÍSA Com certeza. Existem indivíduos que despontam naturalmente para exercer esse papel e certamente o farão se o ambiente favorecer. Mas mesmo eles precisam de orientação para empregar essa habilidade e toda a energia em nome do bem coletivo. Trata-se de um exercício associado à consciência de responsabilidade social. Onde a gestão é democrática e participativa, há a oportunidade de desenvolver essa característica em diversos agentes. Somente governos e organizações autoritários e centralizadores não permitem isso. E a escola, é claro, não deve ser assim.

Quais são as principais características de um líder? HELOÍSA Geralmente, é uma pessoa empreendedora, que se empenha em manter o entusiasmo da equipe e tem autocontrole e determinação, sem deixar de ser f lexível. É importante também que conheça os fundamentos da Educação e seus processos - pois é desse conhecimento que virá sua autoridade -, que compreenda o comportamento humano e seja ciente das motivações, dos interesses e das competências do grupo ao qual pertence. Ele também aceita os novos desafios com disponibilidade, o que influencia positivamente a equipe.

Que questões do cotidiano costumam assustar o gestor que é líder de sua comunidade? 
HELOÍSA Os dirigentes que desenvolveram as competências de liderança nunca se deixam paralisar diante dos desafios. Os que não as têm, contudo, se sentem imobilizados diante de pessoas que resistem às mudanças, sobretudo aquelas que manifestam de forma mais veemente seu incômodo com situações que causam desconforto. Em vez de colocar energia em atividades burocráticas e administrativas, fazendo fracassar os propósitos de criação de uma comunidade de aprendizagem, cabe aos gestores - e a todos os educadores, na verdade - promover o entendimento de que as adversidades são inerentes ao processo educacional. O enfrentamento delas implica o desenvolvimento da compreensão sobre si mesmo, sobre os outros e sobre o modo como o desempenho individual e coletivo afeta as ações da organização.

O diretor deve ser o principal orientador das diretrizes da escola? HELOÍSA Sim. Mas, apesar disso, essa atuação não deve ser exclusividade dele. A escola precisa trabalhar para se tornar ela própria uma comunidade social de aprendizagem também no quesito liderança, tendo em vista que a natureza do trabalho educacional e os novos paradigmas organizacionais exigem essa habilidade. Para que isso aconteça, é primordial a atuação de inúmeras pessoas, mediante a prática da coliderança e da gestão compartilhada. Em vista disso, atuar como mentor do desenvolvimento de novas lideranças na escola é uma das habilidades fundamentais para um diretor eficiente.

Como funciona uma gestão escolar compartilhada?
HELOÍSA Podemos falar em níveis ou abrangências. Num primeiro nível, ela se circunscreve à equipe central, geralmente formada pelo diretor, o vice ou o assistente de direção, o coordenador ou o supervisor pedagógico e o orientador educacional. Nesse âmbito, é necessário praticar a coliderança, ou seja, uma liderança exercida em conjunto e com responsabilidade sobre os resultados da escola. Para isso, é importante haver um entendimento contínuo entre esses profissionais. Num sentido mais amplo, a gestão compartilhada envolve professores, alunos, funcionários e pais de alunos. É uma maneira mais aberta de dirigir a instituição. Para isso funcionar, é preciso que todos os envolvidos assumam e compartilhem responsabilidades nas múltiplas áreas de atuação da escola. Num contexto como esse, as pessoas têm liberdade de atuar e intervir e, por isso, se sentem à vontade para criar e propor soluções para os diversos problemas que surgem, sempre no intuito de atingir os objetivos da organização. Estimula-se assim a proatividade.

O que é uma escola proativa?
HELOÍSA A proatividade corresponde a uma percepção de si próprio como agente capaz de iniciativas e, ao mesmo tempo, responsável pelo encaminhamento das condições vivenciadas. Uma escola pró-ativa é aquela que age com criatividade diante dos obstáculos, desenvolvendo projetos específicos para as comunidades em que atua, de modo a ir além da proposta sugerida pelas secretarias de Educação. O contrário da pró-atividade é a reatividade, que está associada à busca de justificativas para as limitações de nossas ações e de resultados ineficazes.

A liderança também pode ser desenvolvida nos alunos?
HELOÍSA A liderança é inerente à dinâmica que envolve ensino e aprendizagem. Afinal, no jogo da Educação, os protagonistas são os estudantes. Além de oferecer ensino de qualidade, é obrigação da escola fazer com que eles se sintam parte integrante do processo educacional e participantes de uma comunidade de aprendizagem, o que só se consegue com uma metodologia participativa, sempre sob a orientação do professor. Os jovens sempre se mostram colaboradores extraordinários nas escolas em que lhes é dada essa oportunidade, podendo assumir papéis importantes inclusive na gestão e na manutenção do patrimônio escolar, nas relações da família com a escola e dessa com a comunidade.

A equipe de gestão escolar, então, deve sempre ser orientada por princípios democráticos?
HELOÍSA A liderança pressupõe a aceitação das pessoas com relação a uma influência exercida. Ela corresponde, portanto, a uma prática que depende muito da democracia para ser bem-sucedida. O diretor que faz com que os professores cheguem às aulas no horário, pois do contrário sofrerão descontos, influencia o comportamento deles no âmbito administrativo. Contudo, no momento em que ele deixa de impor a pena, tudo volta à condição inicial. Já o gestor que leva a equipe a compreender como a pontualidade contribui para a melhoria do trabalho alcança resultados perenes, que são incorporados naturalmente.

Certamente, atitudes autoritárias não cabem em relações de trabalho assim estabelecidas. 
HELOÍSA É importante destacar a diferença entre ter autoridade e ser autoritário. Todo profissional deve ter autoridade para o exercício de suas responsabilidades. E em nenhuma profissão ela é conseguida pelo cargo, mas pela competência. Já o autoritarismo é constituído pelo comando com base na posição ocupada pela pessoa que, não tendo a devida competência, determina e obriga o cumprimento de tarefas sem fazer com que os envolvidos compreendam adequadamente os processos e as implicações envolvidos na realização do trabalho. Quando identifica essa situação, a tendência da equipe é passar a agir sem comprometimento, gerando um ambiente de trabalho proforma, cujos resultados são sempre menos efetivos do que poderiam ser.

O diretor pode ser avaliado por seus pares para saber se está fazendo uma boa gestão? 
HELOÍSA Nenhuma ação desenvolvida na escola está isenta de avaliação, que é a base para a definição de planos de ação e de programas de formação em serviço. É importante destacar, no entanto, que não são as pessoas que são avaliadas, mas o desempenho delas, que é circunstancial e mutável. A liderança é situacional e, por isso, é essencial desenvolver instrumentos específicos para cada contexto a ser avaliado. Para que o processo se efetive, portanto, é interssante que as fichas de avaliação da liderança sejam preenchidas por todos os membros da comunidade escolar - professores, alunos, pais e demais funcionários.

Como dirigir uma escola para que ela melhore continuamente?
HELOÍSA O segredo é nunca ficar satisfeito com o que já foi conseguido. A satisfação leva à acomodação, o que deixa o gestor impossibilitado de perceber perspectivas para alcançar novos patamares. É muito comum ouvir diretores dizendo, em cursos de formação, "isso eu já faço" ou "isso a minha escola já tem". Fica evidente que, contente com a situação posta, vai ser difícil ele se mobilizar para qualquer mudança. É preciso ter cuidado, pois os processos educacionais são complexos e sempre há desdobramentos novos a desenvolver. Resultados e competências podem sempre melhorar.

Publicado em:
http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/toda-forca-lider-448526.shtml
Acessado em 03/01/2013

Pressupostos para a Gestão Escolar

Pressupostos para a Gestão Escolar


1 - O gestor deve ser um pluralizador e orientador de ações.

            Orientar ações, multiplicar ações tem que ver com papeis, e entender o papel é saber o lugar que deve atuar como pessoa,  como membro na escola. O gestor tem justamente esse, também papel, mostrar, multiplicar, dividir trabalhos, localizar a pessoa no sistema.
De acordo com Lück:

[…]É do diretor da escola a responsabilidade máxima quanto à consecução eficaz da política educacional do sistema e desenvolvimento pleno dos objetivos educacionais, organizando, dinamizando e coordenando todos os esforços nesse sentido, e controlando todos os recursos para tal.
Devido sua posição central na escola, o desempenho de seu papel exerce forte influência (tanto positiva, como negativa) sobre todos os setores e pessoas da escola. É do seu desempenho e de sua habilidade em influenciar o ambiente que depende em grande parte, a qualidade do ambiente e clima escolar, o desempenho do seu pessoal e a qualidade do processo ensino-aprendizagem (1981, p. 16-17).

Para um gestor alcançar ou desenvolver suas atribuições é necessário um planejamento e esse planejamento não deve sair de um único indivíduo e até nesse sentido entra o gestor, pois o diretor não planeja sozinho e nem executa sozinho, cabe a ele saber gerir com sua equipe administrativa, pedagógica e serviços gerais. Todos os participantes da escola devem compor e aceitar, comprar as ideias para o bom andamento. Como diz Campos: O planejamento estratégico é uma ferramenta que deve ser elaborada com a participação e cooperação de todos que fazem a escola (2012, p. 82).

2 – A gestão deve ir além da organização burocrática.

            Em uma escola as decisões são fundamentais. Em todos os âmbitos é necessário atenção e experiência para a tomada das melhores decisões para um bom desenvolvimento da unidade escolar. A questão burocrática da escola é necessária, mas segundo (BOCCIA, 2011) essa visão de uma organização burocrática deve ser superada por parte do diretor da escola. O diretor deve ter uma visão mais ampla com relação à resolução de problemas mais complexos. Além desses problemas burocráticos, referente a atendimentos, cumprimentos de prazos, determinações legais que são inerentes às instituições de educação, o mesmo deve atender as necessidades apresentadas pelo estado, pela sociedade e pela comunidade/localidade.
            Espera-se de um diretor uma postura que cabe a resolução dos problemas da escola além de uma pessoa que possa fazer a interface entre estado e comunidade, seja diretor de escola pública ou particular, pois em ambos os casos as escolas apresentam a mesma proposta que é a formação continuada de gestores, professores e principalmente os alunos.
            A cada dia tem sido mais complexo o trabalho do diretor, e essa gestão democrática, em face das condições reais, tornam-se cada vez mais complicada, e Boccia diz:

[…] Romper com entraves como a precariedade material, a autonomia relativa do diretor, as dificuldades na gestão dos profissionais que trabalham na escola, as resistências, os conflitos entre interesses locais e determinações legais e entre concepções de educação e administração é o desafio a ser ultrapassado pelo diretor, tornando-se necessária a busca de caminhos para a compreensão do que realmente acontece na realização dessa tarefa (2011, p.47).

O diretor de hoje deve estar preparado para os desafios cada vez maiores. É uma função prazerosa, principalmente quando os frutos são colhidos, frutos de uma comunidade influenciada por uma escola regida por um diretor, ou melhor, uma equipe gestora eficiente.

3 – A gestão de uma escola deve ser feita para e com a comunidade.
            O foco da escola é a excelência educacional e na maioria das escolas o que ocorre é uma formação única e exclusivamente acadêmica perdendo-se o foco de formação para a vida. Um típico erro das escolas é o não estar preocupada em dar uma visão da comunidade ao redor da escola e também uma visão de mundo. Essa visão não é só em nível de conteúdo, mas de nível cultural também. Problemas sociais de todos os níveis estão a acontecer ao redor de todas as escolas existentes e a escola deve preparar os indivíduos para essas situações. Um detalhe importante deve ocorrer, a escola deve inserir os alunos nesse cenário da comunidade, projetando e desenvolvendo esses projetos de forma a mostrar na prática a realidade da comunidade ao redor da escola.
            Fazer uma gestão escolar para comunidade tem que ver com uma gestão democrática, como Boccia diz que:

[…]o diretor não tem o poder isolado, não pode fazer as opções e as escolhas que avaliam como sendo as mais adequadas, ou que atendam aos interesses dos membros da comunidade em que a escola está inserida (2011, p.48).

A comunidade deve ser uma parceira com a escola e isso demonstra uma gestão democrática e escola-comunidade só tendem a ganhar, tanto para estudantes como para os membros da comunidade.

A gestão democrática implica a participação de todos os segmentos da unidade escolar, a elaboração e execução do plano de desenvolvimento da escola, de forma articulada, para realizar uma proposta educacional compatível com as amplas necessidade sociais (LUCK, 2000, p. 27).

                A democratização da gestão vai trazer a comunidade para a escola e os benefícios serão para ambos os lados, a formação dos alunos a credibilidade da escola diante a comunidade e os benefícios para a própria comunidade.

4 – A gestão de uma escola deve ter planejamentos a curto, médio e longo prazo.
            Podemos dizer que o planejamento é um instrumento que serve para verificar a realidade, através de um sistema de observação/avaliação analisando um referencial futuro.  Esse planejamento deve levar em conta a comunidade local e os fatores externos dessa comunidade. Por isso é necessário conhecer a realidade da escola observando as atividades que ali são realizadas para diagnosticar os problemas e levantar as possíveis soluções.
            Esse planejamento a curto, médio e longo prazo é dito planejamento estratégico. Esse planejamento é uma ferramenta que deve ser elaborada com a participação e cooperação de todos que compõem a escola.
            Necessita-se primeiro definir em que área aplicar-se-á esse planejamento, isso, dentro da realidade educacional de cada escola. O que a gestão pretende? É número de alunos? É qualidade na aprendizagem? É a aprovação no vestibular? Lembrando que apesar de não ser essa a proposta dos PCN (Plano Curricular Nacional) da educação, é a prioridade da maioria das escolas, seja pública ou particular.
            Em seu livro “Gestão Escolar e Docência”, Campos diz que a escola não se mantém apenas do seu nome, da sua marca, da sua tradição ou do seu legado. É necessário definir a prioridade no pedagógico, assegurando, assim a aprendizagem (2012, p. 78).
            Se o objetivo é o pedagógico, o planejamento deve estar voltado para esse propósito e deve estar bem arregimentado para que toda a equipe participe desse fim.

5 – A gestão deve investir nos seus funcionários.

            Ter uma equipe escolar centrada, focada e determinada é o desejo de todo gestor escolar, pois ao trabalhar de forma integrada com a equipe, os resultados poderão ser alcançados de maneira eficiente.
Oliveira fala sobre a falta de participação e envolvimento dos funcionários.
[…]participação e envolvimento dos funcionários da alta, bem como da média administração, no desenvolvimento do processo de planejamento estratégico, sem os quais esse se tornará um trabalho exclusivo de um pequeno grupo de pessoas que, inclusive, terá grande dificuldade de vender a ideia para a empresa como um todo. (2012, p. 317).

Muitas vezes no ambiente escolar, os objetivos traçados no planejamento não são alcançados e o que se necessita é de uma pessoa ou equipe capacitada e nessa situação pode-se ocorrer um investimento na equipe ou funcionários específicos, lembrando sempre que o objetivo de um gestor é que, sua equipe, deve crescer igualitariamente, crescer juntos. Gestor que quer crescimento de sua escola/empresa, seja qual for a área escolar, investirá em seus funcionários, fazendo com que a equipe escolar cresça junto, para alcançar os objetivos traçados em seus planejamentos.
            Faz parte do planejamento estratégico investir em pessoas.  Investir em gente é necessário planejamento, dedicação e principalmente atitude para servir e formar. Pessoas capazes e motivadas é que inovam e que revolucionam a empresa.

6 – A gestão escolar deve acontecer de maneira integrada entre a coordenação pedagógica, e a orientação educacional:

Apesar de existirem funções específicas por parte dos membros da equipe gestora, observa-se que, quando as ações se integram, o resultado apresenta-se positivo em todos os aspectos, tanto relacional, quanto integrador, organizado e cognitivo no sentido de alcançar com eficiência e eficácia o processo educativo.
Segundo Lück (1981), quando se pensar em algum setor da escola, deve-se pensar em suas relações com os demais setores, bem como com a comunidade. Posições e medidas tomadas após essa conscientização por parte da equipe gestora, terão melhores condições de ação coordenada e eficaz.

7 – O Gestor deve ultrapassar a visão de que a escola se constitui em uma organização burocrática:

            O gestor deve ter uma visão integrada de gestão, conhecendo a escola como um todo, resolvendo problemas de abrangência maior do que as tarefas burocráticas. De acordo com Boccia:
... a escola, instituição complexa, de múltiplas facetas, traz em seu bojo problemas e cobranças de diferentes instâncias e o diretor deve saber administrar e resolver essas cobranças, desvinculando-se do caráter de tutelado do Estado (BOCCIA, 2011, p.46).

            Sua administração deve ir além das instancias burocráticas, apesar desse ser também o seu papel. Para Boccia (2011), o gestor deve também trabalhar pela sociedade e comunidade do entorno da escola, visando em suas ações a parceria e o envolvimento da comunidade.  

8 – O gestor precisa ser visionário, estar ligado às mudanças do mundo contemporâneo:

O mundo é dinâmico, esta em constantes modificações, civilizações evoluem e decai, a cultura muda a partir da busca incessante do ser humano, a sociedade, os processos, as tecnologias, tudo muda rapidamente. Sendo assim, nossos gestores necessitam de ampla visão de mundo, ligados nos acontecimentos, atualizado processos, normas, métodos...
Infelizmente, segundo Gomes (2009), a maioria de nossas escolas é administrada com métodos arcaicos, baseados na chamada “era Industrial” ou períodos anteriores a ela. Dirigentes educadores precisam renovar seus espíritos empreendedores e aprender sobre o mundo novo em sua total abrangência, inovando sempre.
Para Boccia (2011), o gestor deve conhecer as possibilidades e concepções de administração, deve saber e possa fazer opções, assumindo uma nova postura diante das situações que são e serão vivenciadas, que tenha práticas gestoras condizentes com o que a escola atual precisa.

9 – Administrar ou gerenciar é estar atento a possíveis crises:

            Segundo Gomes (2009), a má administração da mudança é que gera o problema, que não gerenciado, gera a crise. Ela continua dizendo:

Uma escola precisa ser amiga da mudança e não ter medo de correr riscos. O risco é justamente a oportunidade de uma organização em superar os obstáculos, saindo da linha da mediocridade e da acomodação. A crise é simplesmente um sintoma de ineficiência gerencial (GOMES, 2009, p.3).

Em uma instituição com gestores comprometidos, a crise é prevista, e administrada sem catástrofes. A crise é transformada em estratégias de melhorias e processos são adotados para que esse momento não se repita. A crise se torna uma oportunidade e não ameaça ou derrota. Esse modelo de  gestão é chamado de Modelo de Gestão pela Qualidade.

10 – O Gestor busca a Eficiência e a Eficácia:

O gestor quando busca a eficácia quando procura atingir os objetivos, fazendo as coisas corretamente. A eficácia é a relação entre resultados alcançados e objetivos planejados. Já a eficiência se configura quando o gestor e sua equipe usam os recursos da melhor maneira possível no desenvolvimento dos projetos. As ações que configuram os projetos eficientes buscam minimizar as perdas, alcançando os resultados esperados.

Para que se tenha uma gestão eficiente e eficaz, planejamento e controle devem ser alinhados. A instituição que utilizar o planejamento para a tomada de decisões certamente consumirá muito menos recursos para corrigir os resultados indesejados e evitar enganos que possam conduzi-la à mortalidade empresarial (COLOMBO, 2004, p.158 - 159).

A eficácia e eficiência devem ser a meta de doto gestor a cada projeto elaborado. Esse pensamento deve permear toda equipe, criando processos padronizados que orientem as ações norteando cada procedimento.

 Referencias:

BOCCIA, M. B.  Os papeis assumidos pelos diretores de escola.  Jundiaí: Edições Pulsar, 2011.

COLOMBO, S. S... [et al.].Gestão educacional: uma nova visão. Porto Alegre: Artmed, 2004. p. 158 – 159. In: FERNANDES, Donizete. Administração econômica.

GOMES, D. D.  MBA Educação: A gestão Estratégica na Escola que Aprende.  Rio de Janeiro: Qualitymark, 2009.

LÜCK, H. Ação integrada: administração, supervisão e orientação educacional. 13 ed. Petrópolis: Vozes Ltda, 1981.

CAMPOS, C. M. Gestão Escolar e Docência. São Paulo: Paulinas, 2010.